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Um Pouco Sobre o Inferno de Dante 3 de julho de 2005

Filed under: Livros — patkovacs @ 8:36

 

 Divina Comédia – Parte I – Inferno
 
Oiê! Como esse é o meu livro da semana, que ainda não terminei de ler dentro do trem, vou comentar algumas coisinhas. Como se trata de um clássico da literatura universal, vale muito a pena dedicar uns instantes e umas linhas a ele, embora eu não seja digna de tal tarefa, mas talvez seja interessante comentários de um semi-leigo em literatura 🙂
 
O livro que tenho em mãos é uma versão quase didática, traduzida e comentada pelo poeta e escritor Cristiano Martins, autor de Elegia de Abril, Poemas, Camões – Temas e Motivos da Obra Lítica, Luz Reflexa, Rilke – O Poeta e a Poesia, Goethe e a Elegia de Marienbad, A Seta e O Alvo, A Vida Atribulada de Dante Alighieri (que consta nesta edição de Divina Comédia) e Inferno de Dante (este mesmo que comentarei, com tradução e notas dissertativas).
 
Então, vamulá!
 
Divina Comédia é um Poema Épico que começou a ser escrito em 1303 e levou 10 anos para ser concluido. Alguns ‘Danteólogos’ (Especialistas em Dante Alighieri!) acreditam que os primeiros esboços começaram mesmo em 1300. A história é narrada em forma de Poesia e foi originalmente escrita em italiano, o idioma de Dante, contrariando o costume da época de se escrever obras do calibre de Divina Comédia em latim. Fatos, pessoas e personalidades que fizeram, de uma forma ou de outra, parte da vida de Alighieri, desfilam pelo poema, que tem base no catolicismo, mas, em nenhum momento, deve ser tomado por uma obra religiosa. Através de Divina Comédia, é possível entender um pouco dos acontecimentos que ocorreram na época de Dante e ainda um pouco anterior a ele. A geografia local é constantemente citada no poema, fazendo até mesmo parte da "geografia do Inferno".
 
E o fato do nome ser, Divina COMÉDIA, não significa que é uma literatura de humor! Passa batido e muito longe disso. A Comédia é o oposto da Tragédia, portanto, a narrativa seria com um começo brando e que se embrutecia ao longo da leitura até chegar a um fim cruel, logo trágico. A narrativa da Comédia é o oposto disso, como bem poderá perceber na obra de Alighieri, que começa trágica (descendo ao Inferno), caminha para a redenção (indo ao Purgatório) e finalmente alcança a glória, um fim brando (chegada ao Paraíso). Se eu não fosse um semi-leigo em Literatura, explicaria melhor isso ¬¬"
 
Tudo começa quando Dante Alighieri, vivo e em pessoa, encontra-se perdido numa densa selva escura e tenebrosa. Sem saber onde está e menos ainda como sair dali, Dante é surpreendido por três figuras representadas por animais: a Pantera, que representa, para uns dantólogos, a luxúria, para outros, a cidade de Floresça (cidade natal de Alighieri); o Leão, que representa a sorbebia e violência ou a Casa da França (busque no Google essa passagem da história da Europa medieval para entender o porque); por fim, a Loba esquálida, representação da avareza ou da Cúria Romana aliada à Casa da França (tem td a ver com fatos importantes da História, vale a pena dar uma busca para saber os detalhes). Esses três animais, que apareceram diante de Dante em pontos diferentes, o impediam de sair da Selva Escura por qualquer outro meio que não fosse através do Inferno e é aí que a jornada do Poeta começa.
 
Completamente perdido, vem a seu auxílio o Poeta Virgílio (nascido na época de Júlio César, em Roma, e morto, ainda jovem, no ano de 44 a.C.), como uma sombra (alma) que o guiará pelas tortuosas trilhas do Inferno, até chegarem ao Purgatório. Virgílio foi incubido de tal missão por Beatriz Portinari, então um anjo (eterna amada em vida de Dante, porém um amor platônico pois proíbido devido às convenções da época).
 
E assim, em companhia do Poeta Virgílio, ídolo máximo do próprio Dante Alighieri, os dois Poetas descem ao Inferno, que constitui em 9 Círculos (o Inferno tem a forma cônica invertida), em que cada Círculo representa o lugar de pena para cada tipo de pecado cometido, cujas penalidades vão-se tornado mais duras e cruéis.
 
Os Círculos, ou etapas, são:
 
1° Circulo – O Limbo:
Ali encontram-se aqueles que morreram sem batismo e as grandes personalidade do Paganismo (todos aqueles que morreram antes do Nascimento de Cristo e, por isso, não tiveram a oportunidade de conhecer a religião Cristã – bem injusto, não?). É ali, tb, a morada eterna de Virgílio.
As penalidades no Limbo são consideradas as mais brandas, que não constitui em torturas físicas, ficando restritas aos sofrimentos de natureza moral e espiritual (que não é menos pior ¬¬").
 
2° Círculo
Onde são penalizados os luxuriosos, que são eternamente arrastado por uma ventania num verdadeiro vórtice de almas penadas. A figura mitológica que guarda o 2° Círculo do Inferno é Minos (Touro), que determinava a que grau do Inferno tal alma tomaria parte; cada volta que Minos dava com sua cauda, representava o Círculo ao qual a alma deveria seguir.
 
3° Círculo
Onde são penalizados os Gulosos (vc notará que que exite um Círculo para cada um dos 7 pecados capitais), os pecadores por intemperança (Glutonaria). A pena ali imposta é que as almas são atingidas eternamente por uma chuva que jamais cessa e também têm seus "corpos" dilacerados pelas garra de Cérberos, outro ser mitológico, um cão gicante de três cabeças e baba ácida. Porém, na visão de Dante, Cérberos é um demônio metade homem, metade cão, ainda com as 3 cabeças.
 
4° Círculo
Ávaros (os pão-duros) e Pródigos (os gastões) dividem o mesmo Círculo, porém separados por uma linha intransponível que separa ávaros e pródigos em dois campos. A penalidade aqui é as almas rolarem enormes rochas e injuriarem-se mutuamente. O guarda deste Círculo é Pluto.
 
5° Círculo
Para chegar ao 5° Círculo, DAnte e Virgílio têm que transpor o rio Estige e fazem-no através da barca do demônio Flégias. A partir do 5° Círculo, começa a derradeira do Inferno, onde fica a entrada para a Cidade de Dite (Lúcifer) e onde estão condenados os pecadores de maior gravidade, que se graduam ao nível em que se descem, com penalidades cada vez mais torrentes. Ali os guardas eram Anjos rebeldes, condenados pelos Céus a tornarem-se demônios e guaridas dos muros da Cidade de Dite. Ali, as almas penadas são castigadas vivendo no mar de lodo que é o rio Estige.
 
6° Círculo
Foi necessário o auxílio de um Anjo, a pedido de Beatriz, para que os dois Poetas adentrassem a Cidade de Dite, indo ao 6° Círculo. Os demônios que ali guardavam seu portão, não permitiram a entrada de Dante e Virgílio. Nesse 6° Círculo padecem os heréticos (aqueles que praticaram doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja em matéria de fé) e sua penalidade é viver dentro de sepulcros em chamas eternas. Aqui já começa as penalidades terem graus diferentes de tortura de acordo com a gravidade do pecado cometido e cada Círculo – a partir deste 6° – é dividido em giros, e cada giro a tortura se torna mais intensa.
 
7° Círculo
Possui 3 giros. O 7° Círculo são castigadas as almas dos violentos, que são de 3 tipos, e cada qual é separado pelos 3 giros (lembrando-se que cada vez mais profundo se desce ao Inferno, mais grave é o pecado da alma e logo mais terrível é a sua pena). O primeiro giro ficam os violentos contra outrens, que são os homicidas e ladrões a mão armada; no segundo giro estão os violentos contra si mesmos, os suicidas; e no terceiro e último círculo são punidos os sodomitas e blasfemos, os violentos contra a Natureza.
Seu guarda é o Minotauro, filho de Minos e Pasifaé, morto por Teseu, príncipe de Atenas. Ali as almas são submersas em sangue fervente. Para evitar que as almas fujam do fervente mar de sangue, há uma guarda composta por Centauros, flexando aqueles que dali tentam escapar. Essa era a pena do primeiro giro, destinado aos violentos contra outrem.
No 2° giro, os dos suicidas e dos dissipadores; os primeiros transformados em nodosas árvores; os segundos são eternamente perseguidos e estraçalhados por cães ferozes.
No 3° giro encontram-se os violentos contra Deus, contra as artes e contra a natureza (sodomitas). Ali os pecadores são atingidos por uma eterna chuva de fogo, que não se dissipa nem quando toca o solo, cremando tudo a sua volta.
 
8° Círculo
 Chamado MALEBOLGE, o 8° Círculo possui 10 valas (ou giro). A narração sobre este punúltimo Círculo leva quase metade do livro, onde Dante e Virgílio se detém por um tempo maior.
Este será bem difícil de descrever…
 
Na primeira vala encontram-se os rufiões (Indivíduo que se mete em brigas por causa de mulheres de má reputação) e os sedutores. Apena (urgh, nogenta!) é ficarem imersos num mar de fezes!!
 
Na segunda vala encontram-se os sedutores/aduladores, flagelando-se intermitentemente com as próprias mãos.
 
Na terceira vala estão os simoníacos (aquele que trafica ou vende coisas sagradas ou espirituais, tais como sacramentos, dignidades, benefícios eclesiásticos, etc). Estes ficam enterrados de cabeça para baixo dentro da rocha, donde apenas é possível ver os pés e panturrilhas, além de sair constantemente chamas de dentro da cova em que o danado se encontra. As chamas têm maior ou menor intensidade de acordo com a intensidade do crime cometido. É pra cá que irão os pastores evangélicos XDD E neste giro, encontra-se o papa Nicolau III e espera-se a chegada, para o mesmo giro, do papa em exercício (em 1300), Bonifácio VIII e o francês (o papa que viria a substituir Bonifácio) Clemente V (Bértrhd de Sout, Arcebispo de Bordeaux – responsável pela translação da Sante Sé de Roma para Avinhão (França).
 
* "A passagem de um para outro compartimento de torturas fazia-se, ali, sempre através das arestas ou pontalões de pedra que, ressaindo das penhas do báratro (Grande massa de rocha isolada e saliente de um Abismo, precipício, voragem ou o próprio inferno.), iam unindo, como pontes, pelo alto, as diversas valas." *
*Dissertação do tradutor Cristiano Martins.
 
Quarta vala – Ali pagam seus pecados os mágicos, adivinhos e afins. Com seus rostos voltados às costas (a cabeça virada a 180° do corpo), caminhavam a esmos, o que seria adiante. O crime por querer desvendar o futuro, que "só a Deus pertence", cuja pena é jamais poder olhar pra frente, novamente.
 
Quinta vala – Encontram-se os funcionários corruptos e venais, os traficantes de cargos e inflências, os prevaricadores (aqueles que faltam, por interesse ou por má fé, aos deveres do seu cargo, do seu ministério) e trapaceiros. (OBS: Quando vc for mandar algum político pro inferno, aproveite e indique a localidade em que ele ficará: no quinto giro do oitavo Círculo XDD). Todos permanecem, neste giro, mergulhados num poço de betume fervente. Os danados, ali, eram assistidos por Demônios alados (Malebranche) munidos de ganchos e arpões, que os supliciavam (supliciar = torturar, afligir, molestar, magoar), impedindo-os de saírem ou permanecessem à tona do poço de betume.
 
Sexta vala – Para que Dante e Virgílio pudessem chegar à 6ª vala, era necessário transpor uma ponte de pedras, que não mais existia; a tal ponte havia ruído durante a crucificação de Cristo, por obra Divina. Então os dois poetas tiveram que transpor através de uma estreita trilha, de onde já podiam avistar os outros condenados da vala em questão.
Na vala sexta encontram-se os hipócritas, que carregam sobre as cabeças e ombras uma pesada capa de chumbo. Como os hipócritas, que têm por característica pensar de uma forma e agir/falar de outra, assim o era sua pena: suplício e dor internar enquanto ostentavam rico e dourado manto de chumbo (chumbo é dourado??) Lá encontravam-se os Frades Gaudentes (Irmãos da Vrigem Maria). Note que os religiosos não se salvam do Inferno, logo, religiosidade não significa bondade e justiça.
Ainda neste giro, encontra-se um personagem crucificado na rocha, no chão; trata-se de Caifás, que aconselheu os Feriseus a condenarem Jesus. Outros em mesma situação eram Anaz (sogro de Caifás) e os outros juízes do Sidério (que conderam Jesus). Acredita-se que tal condenação que iniciou as desgraças que até hoje assolam os judeus.
 
Sétima vala – Encontram-se os ladrões, que fogem em vão de enormes serpentes que, ao picá-los, aos ladrões, estes entram em combustão e reduzem-se a cinzas, renascendo em carne logo em seguida, para então tornarem ao mesmo ciclo de suplício.
 
Oitava vala – As chamas longas que ali se avistava eram as almas dos condenados que perpetuavam-se naquele castigo, de serem eternamente cremados. Os danados em questão eram os conselheiros fraudulentos e pérfidos. Por acaso, Dante era um conselheiro em Florença, e ao avistar tal penalidade que homens de mesmo cargo que ele eram submetidos no Inferno, este ficou tão impressionado que assumiu o autocompromisso de jamais cometer os mesmo erros daqueles que ali danavam.
(OBS: ‘danado’ é aquele que é condenado ao inferno! Mto cuidado ao usar essa palavra ;-])
 
Nona vala – Aqueles que promovem a discórdia entre os povos e as pessoas (Bush vai pra cá, Bush vai pra cá!) e causam cismas religiosas permanecem nesta vala, sendo açoitados por golpes e multilações em fio de espada, num ciclo. O condenado, andando em círculo, ao passar pelo Demônio que ali impingia o castigo, era acertado por sua espada, que o mutilava horrendamente, mas tal ferimento se cicatrizava ao longo do círculo em que andava, para, então, sofrer novo açoite. Encontram-se, ali, duas importantes figuras da história: Maomé (fundador do Islamismo – 560 ~ 633), Píer de Medicina (político de Bolonha), Cúrio (responsável por causar discórdia entre os Romanos, por calúnias ditas a César) e Bertran de Bórnio (trovador de Provença, que, enquanto estava na Inglaterra, induziu o príncipe Henrique a matar o próprio pai, Henrique II).
 
Décima Vala – Ali estão os falsários
 
(daqui a pouco continuo)
  
 

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One Response to “Um Pouco Sobre o Inferno de Dante”

  1. Unknown Says:

    oie!tava vendo as fotos… ficou muito legals!realmente esse negócio aki é bem maneirinho …. melhor que muita coisa q ja vi na netbjks….xaus


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